morte e vida severina
quando a menina era criança era fácil. era só botar a culpa em tudo o que tinha passado por estar ficando cada vez mais fria, protegida e isolada das outras pessoas. enquanto eu estava ainda apenas digerindo todas as coisas, naquele turbilhão de mágoas, era muito fácil estar inerte, um tanto insensível a esses episódios e ritos de passagem da vida. enquanto eu achava que tinha me curado da mania de me apegar às pessoas era muito tranquilo voltar pra casa depois de um dia como esses, deitar na cama, fechar os olhos e agradecer por não ter sido a minha vez.
agora as coisas são tão diferentes... duras e claras, sem nenhum véu.
por um instante parece que eu e minha casa somos tão pequenas quanto formigas, e que por mais que estejamos aqui no mundo, ninguém nunca vá olhar notando o que escondemos. tudo parece tão solitário... a dor é sempre tão solitária. o abismo que separa você de mim só vai se alargando, a minha ilha se perdendo no meio do oceano, o continente de gente tão denso ao longe, e eu à deriva. terra por todos os lados, você por todos os lados. e dentro.
quando tudo se tornou tão velho e amadurecido é que se tornou mais difícil lidar com isso. quando novamente, agora mais enrigecida e consciente, eu me apeguei, não sem pensar, mas com consciência e mesmo assim me dispondo foi que se tornou tão intimamente sofrido. uma dor palpável, uma dor que se sabe que não se pode evitar. a dor que vem no contrato, nas entrelinhas, em letras miúdas, que só a marca de uma lágrima pode fazer brilhar. quando conscientemente levantei da cama sabendo que eu era então realmente o que iria ser a vida toda, e decidi levar o amor comigo, eu aceitei esta dor.
agora sem poder me esconder atrás da adolescência tempestuosa, não posso mais virar as costas em tom de desprezo, fingindo que não escolhi isso ou aquilo pra mim. vou viver o resto da vida pensando em todas as dores que aceitei nas letras miúdas dos meus contratos com cada um. cada objeto, cada parte de mim, cada pequena parte de cada pequena coisa que nem consigo enxergar, mas que me doem de volta, agudas, perenes. vou me alimentar da dor que você me fez aceitar em contrato pra que viver valesse a pena. vou aceitar a dor da morte de cada coisa, de cada um, de cada morte minha como minha vida. vou me alimentar de todas as coisas que me permearem enquanto eu estiver aqui servindo de tabula rasa ao bombardeio das pequenas e grandes dores, as alegres e tristes, até que o caixão seja o meu.
e mesmo que doa, e eu aceito, o amarei ainda assim.
agora as coisas são tão diferentes... duras e claras, sem nenhum véu.
por um instante parece que eu e minha casa somos tão pequenas quanto formigas, e que por mais que estejamos aqui no mundo, ninguém nunca vá olhar notando o que escondemos. tudo parece tão solitário... a dor é sempre tão solitária. o abismo que separa você de mim só vai se alargando, a minha ilha se perdendo no meio do oceano, o continente de gente tão denso ao longe, e eu à deriva. terra por todos os lados, você por todos os lados. e dentro.
quando tudo se tornou tão velho e amadurecido é que se tornou mais difícil lidar com isso. quando novamente, agora mais enrigecida e consciente, eu me apeguei, não sem pensar, mas com consciência e mesmo assim me dispondo foi que se tornou tão intimamente sofrido. uma dor palpável, uma dor que se sabe que não se pode evitar. a dor que vem no contrato, nas entrelinhas, em letras miúdas, que só a marca de uma lágrima pode fazer brilhar. quando conscientemente levantei da cama sabendo que eu era então realmente o que iria ser a vida toda, e decidi levar o amor comigo, eu aceitei esta dor.
agora sem poder me esconder atrás da adolescência tempestuosa, não posso mais virar as costas em tom de desprezo, fingindo que não escolhi isso ou aquilo pra mim. vou viver o resto da vida pensando em todas as dores que aceitei nas letras miúdas dos meus contratos com cada um. cada objeto, cada parte de mim, cada pequena parte de cada pequena coisa que nem consigo enxergar, mas que me doem de volta, agudas, perenes. vou me alimentar da dor que você me fez aceitar em contrato pra que viver valesse a pena. vou aceitar a dor da morte de cada coisa, de cada um, de cada morte minha como minha vida. vou me alimentar de todas as coisas que me permearem enquanto eu estiver aqui servindo de tabula rasa ao bombardeio das pequenas e grandes dores, as alegres e tristes, até que o caixão seja o meu.
e mesmo que doa, e eu aceito, o amarei ainda assim.
Marcadores: buckley, morte, o maior segredo do mundo, vida
2 Comentários:
por algum motivo estranho falei sobre o meu medo de que o tempo passe tão rápido a ponto de eu não perceber, e assim ser levado pelo vento. mais ou menos isso o que você disse aqui.
esse texto me fez sentir coisas fisicas, enquanto lia, talvez por isso eu gostei tanto...
se cuide, ok?!
:*
amadurecimento e esclarecimento são dádivas ou maldições? seria mais válido o impulso influenciado(ável) da juventude, ou o premeditado de agora? acho q a questão não é essa. mais do que a dor dos pensamentos, ou arrependimentos, a experiência ainda deve ser mais importante. e o amadurecimento não pode esgotá-la: estamos sempre amando, olhando, pensando, dizendo, morrendo, vivendo... que nos alimentemos disso então! nos alimentemos do "outro", até que, depois do fim, comece tudo de novo. =]
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