domingo, dezembro 30, 2007

I wonder...

são 4h49 e meu gato está deitado na cadeira de praia amarela. o blind melon soa nas caixas, como sempre nesses últimos dias. o diário está aqui do lado, o celular, a câmera. tudo bem igual a sempre. os cabos se misturam em cima da mesa do computador. são o da câmera, o do celular, fora os carregadores das respectivas baterias, eu olho assim e nem sei qual é qual. e pensando bem, eu nunca sei. sempre que vou usar um deles, acabo pegando o errado. a pulseira está aqui em cima da mesa, afinal eu sempre a tiro quando me atrapalha a digitar, e isso é sempre. tem algumas moedas também, que eu tirei do bolso como sempre faço quando chego de calça jeans, o que é sempre. to de meia ainda, como sempre fico quando chego da rua. meu par de all star sujo tá aqui embaixo da cadeira, porque é sentada aqui que eu sempre o tiro quando chego da rua. a bolsa de bolinhas está jogada aberta em cima do sofá, junto da outra bolsa que eu usei outro dia, e também a joguei ali. daqui da sala ouço os pingos do chuveiro pingarem. a gente nunca conseguiu consertar isso direito, daí fica pingando, como sempre. a janela está meio aberta e eu olho lá pra fora e penso serem vultos assustadores as folhas balançando por causa do vento. sempre foi assim.
eu estou aqui, ouvindo as músicas e não conseguindo me desvencilhar de velhos pensamentos e teorias sobre mim mesma. penso, penso, e posso descreve-me como ao ambiente. sei de cada coisa. quando o assunto sou eu mesma, eu no fundo não me engano. como não me engano pensando que os pingos pingando não estão desperdiçando litros de água. apesar de sempre enganar os alheios, sobre mim e sobre a água. posso dizer que me conheço melhor do que ninguém jamais vai me conhecer, não só porque eu sou eu - o que, aliás, acaba acontecendo sempre - , mas porque convivo comigo de uma forma tão enlouquecedora que só assim pra não enlouquecer. já fui posta diante de mim mesma muitas vezes, então eu sei quando algo é pra mim, ou quando algo apenas quer ser. e eu sei muito bem quando algo está sendo só porque eu quero assim, e só porque eu (acho que) preciso assim. e eu sei que agora é este caso. eu paro aqui sentada, começando a sentir calor porque, como sempre, desliguei o ventilador que estava fazendo eu sentir frio, e penso que posso descrever exatamente o que está acontecendo comigo. tudo. os porquês, os momentos em que dei sinal, tudo.

e é incrível que mesmo podendo descrever tudo e ver que é tudo tão igual, não possa evitar facilmente como deveria ser. não posso evitar. é revoltante. as coisas são como sempre foram, mas vou sentir como sempre também, porque não posso evitar.


meu gato desceu da cadeira de praia e foi comer.
pensando bem, desde que ele teve um acidente com uma outra cadeira de praia que nós tínhamos, ele nunca mais tinha subido em uma.
as coisas não são pateticamente iguais, é só uma questão de observar os detalhes.

sobre mim, eu já não sei.

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sexta-feira, dezembro 28, 2007

boa ventura.

é tão engraçado depois de horas seguidas escutando outras coisas estar agora aqui parada ouvindo los hermanos.
los hermanos... aqueles caras com quem eu vivi 90% da minha adolescência fedida, mal humorada e sangrenta, com quem eu sofri que nem uma condenada, e ri descontroladamente... aqueles caras com quem eu fui mais triste do que nunca e mais feliz do que jamais serei de novo, sabe? aqueles caras barbudos, serenos, cortantes, bonachões, queridos... aqueles caras que fazem do público uma grande família sincronizada, unida, explosiva, emocionada... aqueles caras feios e nojentos, mas que todo mundo ama. aqueles. porra, são eles mesmo.
é muito engraçado estar, depois de tantos dias, meses, colecionando guitarras, gritos, letras em inglês, estar aqui sentada ouvindo los hermanos. como se se fechasse um ciclo, não? é de se abrir um sorriso largo, cheio de memórias. é como abrir um álbum de fotos de família, ou aqueles álbuns do nenê - que eu sei que a sua mãe tem um. é que nem aquelas fotos em que estão sua bisavó, sua avó, sua mãe e você, juntos, sorrindo, um mais feliz que o outro. todo mundo brigou pelo caminho, cada um guarda sua mágoa, mas naquela foto é tudo amor. e eles são tão assim.
são tão amor.
pode apostar que mesmo nas lágrimas mais gordas e mais amargas, nas recordações mais sofridas que trazem pros milhares de fãs que têm, é isso que trazem. é um amor... sempre foi tanto amor. e fã de los hermanos é chato, a chatice é proporcional a esse vício que consome, essa paixão louca, essa impossibilidade de esquecer que um dia fizeram parte da vida da gente, mesmo que hoje em dia não façam tanta.
é muito engraçado depois de tudo, estar aqui ouvindo los hermanos. é saber que é muito do que eu sou hoje.
é lindo.


que isso, los hermanos.
volta aí, mermão!
hahahah





eu seeeei, não é assiiiim
mas deixa eu fingiiiiir e riiiiiiir
lá lá lá rá rá

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quarta-feira, dezembro 26, 2007

adeus, ano velho.

ele veio, ficou, se refestelou com cara de velho. cabelos brancos, dedos enrugados, ensinamentos com lágrimas nos olhos e olhar taciturno. me olhou daquele jeito ofensivo, deu um tapa na minha cara, e agora vem querer me ensinar as coisas.
2007, tenha uma boa viagem.

vou lembrar de brigas que, pela primeira vez na minha vida, reaproximaram pessoas. vou lembrar do medo de estar sozinha, da dificuldade de se desapegar de coisas velhas, que acontece todo ano, mas que nesse me deixou à beira de um precipício solitário, escuro. vou lembrar de todas as músicas que eu ouvi, e foram muitas, e novas pra mim, de todas as pessoas que se tornaram fontes delas, e que se tornaram receptáculos. vou me lembrar de um sentimento confuso, ora vermelho ora cinzento, que perturbou, perturbou, que me disse olá todas as manhãs, que me beijou todas as tardes com aquele gosto amargo, e a noite com o sal nos lábios. vou lembrar dele olhando de longe e dando adeus.
você fica em 2007.


e eu? eu já fui.



aí, blind melon. é a boa.
aí, alice in chais. é a muito boa.

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segunda-feira, dezembro 17, 2007

I dont want to breath this air without your smell...

não que alguém ache aqui que é tudo a mesma coisa. não se trata disso.
eu bem sei que cada dia se acorda uma outra pessoa, que tudo, mesmo que neguemos, muda a gente de alguma forma, sou um protótipo perfeito de thompsoniana apesar de não ter muita vocação pra burocrata.
mas é que dá uma agonia quando se conta os dias e, apesar de terem passados mais de bons - e horríveis ao mesmo tempo - 30 dias, estou eu aqui de novo, às quase 3h da manhã, pensando num turbilhão de pequenas coisas que já são tão conhecidas que dão fastio. e as músicas são as mesmas, eu não posso negar. tudo bem que nunca me cansam, que pelo que são como música já me valem cada segundinho que permaneço aqui ou que perco tentando passá-las pro celular. mas não vou me enganar que são apenas músicas. são um diário vivo de tudo, me contam tudo, como se não tivesse sido eu a viver cada coisa. e eu sinto como se não tivesse sido outro a escrever as canções.
é tudo tão vivo que mata.


eu peço desculpas por não devolver as visitas.
esse final de semestre me consome.
quando eu voltar a ser vagabunda como estava sendo antes desse final de semestre, devolvo todas.

=*


e sabe do que mais?
no final, que se dane.
está tudo infinitamente melhor.
é tudo uma questão de aceitar a condição. amarante me ensina isso há anos e eu não tomo vergonha na cara de aprender.

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terça-feira, dezembro 11, 2007

está morrendo, está morrendo!
e não há jeito melhor de começar a vida!



viva.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

SHUT ME UP

que os outros percam a paciência em algum momento, é normal.
a gente sabe que alguma hora alguém vai gritar pra sairmos disso e mudarmos o disco porque "não há peru que aguente" aquela ladainha outra vez! a gente até entende que ninguém mais tenha paciência, que nos chacoalhem, que nos espanquem por ódio e incompreensão. de vez enquando é até um jeito de pedir pelo amor de deus pra que eu, aquela amiga, não fique mais assim tão cortada, e magoada. é de se entender que quem nos goste não queira nos ver com tanta dor.

mas dessa vez quem não tem mais paciência sou eu. dessa vez quem olha pra mim mesma e tem vontade de me dar um tapa nas fuças até o sangue rolar nariz abaixo sou eu. quem não tem mais saco pra ouvir ladainhas, quem não acredita mais nas decisões no calor do momento, quem não quer mais saber sou eu.

eu cansei de tudo isso, eu cansei de mim.
chega disso, chega dessa dorzinha escrota e infantil.

trata de mudar isso já, luciana. ou eu nunca mais falo com você. e eu falo sério.

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domingo, dezembro 02, 2007

today the sun is burning out...

então é como se hoje fosse tudo pateticamente igual, mas esclarecidamente diferente. a tormenta vem, vem densa e cruel e mata, mas mata pra fazer reviver quando tudo tiver passado. quando a gente aceita é mais fácil, e tem dias que a gente tem que aceitar, ou então não levanta... e eu escolhi sair andando por aí, pra ver o que ainda me resta ver, o que ainda me vai fazer fechar os olhos pra querer só sentir. eu escolhi viver. não hoje, nem amanhã, mas escolhi viver... mesmo que pra isso fosse necessário matar algo hoje.
tudo mais fácil quando notei que o corpo a que eu estava abraçada nunca existiu. e chega a ser engraçado como de repente, ao retomar a consciência, ao me desafogar da água salgada, ele não passou de um vulto causado pela sombra da cortina na parede. assim como uma espécie de fumaça que traguei e modelei a meu gosto, com os lábios. um gosto sem gosto. e não seria salgado, pois só quem o sente pode ser, nem seria amargo apenas por nunca ter chegado a ser.
então hoje as mesmas músicas contarão uma história diferente. então hoje elas se reinventarão pra mim e após tantas repetições chorosas finalmente tocarão como um adeus. não aquele incerto, por entre a grade, meio tímido, num sorriso amarelo. elas tocarão fortes, pesadas, mesmo que suaves na voz infantil. soarão pela casa perfurantes, potentes, independentes. independentes de qualquer invenção, de qualquer versão. inversão.

inverter.

inverter pra poder acordar um dia sem ter a vida chacoalhada por um mero capricho de uma sombra na parede. inverter pra sobreviver às outras mortes e outras vidas que, estas sim, serão minhas.

inverter.



.itiannaiti:no connection with what you say.

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