I wonder...
são 4h49 e meu gato está deitado na cadeira de praia amarela. o blind melon soa nas caixas, como sempre nesses últimos dias. o diário está aqui do lado, o celular, a câmera. tudo bem igual a sempre. os cabos se misturam em cima da mesa do computador. são o da câmera, o do celular, fora os carregadores das respectivas baterias, eu olho assim e nem sei qual é qual. e pensando bem, eu nunca sei. sempre que vou usar um deles, acabo pegando o errado. a pulseira está aqui em cima da mesa, afinal eu sempre a tiro quando me atrapalha a digitar, e isso é sempre. tem algumas moedas também, que eu tirei do bolso como sempre faço quando chego de calça jeans, o que é sempre. to de meia ainda, como sempre fico quando chego da rua. meu par de all star sujo tá aqui embaixo da cadeira, porque é sentada aqui que eu sempre o tiro quando chego da rua. a bolsa de bolinhas está jogada aberta em cima do sofá, junto da outra bolsa que eu usei outro dia, e também a joguei ali. daqui da sala ouço os pingos do chuveiro pingarem. a gente nunca conseguiu consertar isso direito, daí fica pingando, como sempre. a janela está meio aberta e eu olho lá pra fora e penso serem vultos assustadores as folhas balançando por causa do vento. sempre foi assim.
eu estou aqui, ouvindo as músicas e não conseguindo me desvencilhar de velhos pensamentos e teorias sobre mim mesma. penso, penso, e posso descreve-me como ao ambiente. sei de cada coisa. quando o assunto sou eu mesma, eu no fundo não me engano. como não me engano pensando que os pingos pingando não estão desperdiçando litros de água. apesar de sempre enganar os alheios, sobre mim e sobre a água. posso dizer que me conheço melhor do que ninguém jamais vai me conhecer, não só porque eu sou eu - o que, aliás, acaba acontecendo sempre - , mas porque convivo comigo de uma forma tão enlouquecedora que só assim pra não enlouquecer. já fui posta diante de mim mesma muitas vezes, então eu sei quando algo é pra mim, ou quando algo apenas quer ser. e eu sei muito bem quando algo está sendo só porque eu quero assim, e só porque eu (acho que) preciso assim. e eu sei que agora é este caso. eu paro aqui sentada, começando a sentir calor porque, como sempre, desliguei o ventilador que estava fazendo eu sentir frio, e penso que posso descrever exatamente o que está acontecendo comigo. tudo. os porquês, os momentos em que dei sinal, tudo.
e é incrível que mesmo podendo descrever tudo e ver que é tudo tão igual, não possa evitar facilmente como deveria ser. não posso evitar. é revoltante. as coisas são como sempre foram, mas vou sentir como sempre também, porque não posso evitar.
meu gato desceu da cadeira de praia e foi comer.
pensando bem, desde que ele teve um acidente com uma outra cadeira de praia que nós tínhamos, ele nunca mais tinha subido em uma.
as coisas não são pateticamente iguais, é só uma questão de observar os detalhes.
sobre mim, eu já não sei.
eu estou aqui, ouvindo as músicas e não conseguindo me desvencilhar de velhos pensamentos e teorias sobre mim mesma. penso, penso, e posso descreve-me como ao ambiente. sei de cada coisa. quando o assunto sou eu mesma, eu no fundo não me engano. como não me engano pensando que os pingos pingando não estão desperdiçando litros de água. apesar de sempre enganar os alheios, sobre mim e sobre a água. posso dizer que me conheço melhor do que ninguém jamais vai me conhecer, não só porque eu sou eu - o que, aliás, acaba acontecendo sempre - , mas porque convivo comigo de uma forma tão enlouquecedora que só assim pra não enlouquecer. já fui posta diante de mim mesma muitas vezes, então eu sei quando algo é pra mim, ou quando algo apenas quer ser. e eu sei muito bem quando algo está sendo só porque eu quero assim, e só porque eu (acho que) preciso assim. e eu sei que agora é este caso. eu paro aqui sentada, começando a sentir calor porque, como sempre, desliguei o ventilador que estava fazendo eu sentir frio, e penso que posso descrever exatamente o que está acontecendo comigo. tudo. os porquês, os momentos em que dei sinal, tudo.
e é incrível que mesmo podendo descrever tudo e ver que é tudo tão igual, não possa evitar facilmente como deveria ser. não posso evitar. é revoltante. as coisas são como sempre foram, mas vou sentir como sempre também, porque não posso evitar.
meu gato desceu da cadeira de praia e foi comer.
pensando bem, desde que ele teve um acidente com uma outra cadeira de praia que nós tínhamos, ele nunca mais tinha subido em uma.
as coisas não são pateticamente iguais, é só uma questão de observar os detalhes.
sobre mim, eu já não sei.
Marcadores: blind melon - I wonder
2 Comentários:
Eu também conheço muito de mim e geralmente sei como devo reagir em cada situação.
Mas, nunca parei para analisar o quanto me conhecia...
Eu só posso afirmar que eu vivo mudando, não que eu tenha várias personalidades, mas, eu sempre procuro mudar para melhor, viver melhor...
Entrou um ano novo aí e tudo pode parecer igual e pode ser igual. Mas, depende de cada um para ser diferente.
Vi aí do lado que você tá no mood 'lonely'.
Quer uma dica? Ouve Weezer agora, Beverly Hills. Ajuda. Muito.
E depois, pede o abraço de um amigo.
:*
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