blues da piedade
como sempre estava ali. sempre queria estar. não era obrigada que ia, não era de má vontade que ia, era com o coração aberto. era com toda a coragem de tentar reaprender que ia. e, acredite, ela ia.
mas nunca estava ali por inteiro. as partes iam sendo deixadas pelo caminho, e quando chegava ao destino era só a metade, ou menos, ou o negativo da menina. tentava recolher as partes que caíam enquanto andava, sem sucesso. eram mais partes que seus braços de menina poderiam carregar. era menina, era uma menina ainda, e chegavam apenas os cabelos brancos, as rugas, as cicatrizes.
os olhos estavam sempre nos olhos. e por mais que estivessem, e por mais que ela estivesse ali, nunca era sincero. desaprenderam, assim como a menina, a dizer a inteira verdade. dizia sim, a verdade normal, a verdade do meio, a equilibrada. não se mostraria por inteiro como errara tantas vezes, tinha medo. e guardava pra si aquela parte que dizia sua. a sua verdadeira parte, o resumo do que caíra pelo caminho. e guardava aquela parte com carinho, e dormia com ela, a única lembrança daquela menina.
por vezes as palavras vinham, e a menina cerrava os dentes, não as deixaria sair. por vezes até pensara em dizer, mas as palavras não vinham. o corpo e a alma ajudavam a não deixar que a menina se dissesse menina. e quem iria querer ouvir o que ela teria a dizer? e quem iria querer saber das partes que caíram pelo caminho? e mais... quem, quem iria querer saber daquela parte, aquela, a que ainda luta pra se manter intacta e não cair pelo caminho? ninguém iria querer saber da menina. calava e guardava pra de noite abraçar sua parte e deixá-la rolar o rosto, como fosse.
no dia seguinte a menina ia, como sempre. ia sempre com gosto, não era obrigada que ia. ia pela metade, mas ia. ia disposta a reaprender o que fosse, pra quem sabe um dia poder contar sua única parte a ele. mas ao enfrentar os olhos gelados, gelados ficavam os dela também. e não molharia ali o que os dele secaram.
e de noite, que rolassem pelo rosto.
mas nunca estava ali por inteiro. as partes iam sendo deixadas pelo caminho, e quando chegava ao destino era só a metade, ou menos, ou o negativo da menina. tentava recolher as partes que caíam enquanto andava, sem sucesso. eram mais partes que seus braços de menina poderiam carregar. era menina, era uma menina ainda, e chegavam apenas os cabelos brancos, as rugas, as cicatrizes.
os olhos estavam sempre nos olhos. e por mais que estivessem, e por mais que ela estivesse ali, nunca era sincero. desaprenderam, assim como a menina, a dizer a inteira verdade. dizia sim, a verdade normal, a verdade do meio, a equilibrada. não se mostraria por inteiro como errara tantas vezes, tinha medo. e guardava pra si aquela parte que dizia sua. a sua verdadeira parte, o resumo do que caíra pelo caminho. e guardava aquela parte com carinho, e dormia com ela, a única lembrança daquela menina.
por vezes as palavras vinham, e a menina cerrava os dentes, não as deixaria sair. por vezes até pensara em dizer, mas as palavras não vinham. o corpo e a alma ajudavam a não deixar que a menina se dissesse menina. e quem iria querer ouvir o que ela teria a dizer? e quem iria querer saber das partes que caíram pelo caminho? e mais... quem, quem iria querer saber daquela parte, aquela, a que ainda luta pra se manter intacta e não cair pelo caminho? ninguém iria querer saber da menina. calava e guardava pra de noite abraçar sua parte e deixá-la rolar o rosto, como fosse.
no dia seguinte a menina ia, como sempre. ia sempre com gosto, não era obrigada que ia. ia pela metade, mas ia. ia disposta a reaprender o que fosse, pra quem sabe um dia poder contar sua única parte a ele. mas ao enfrentar os olhos gelados, gelados ficavam os dela também. e não molharia ali o que os dele secaram.
e de noite, que rolassem pelo rosto.
"oh elise it doesn't matter what you do
I know I'll never really get inside of you
to make your eyes catch fire
the way they should
(...)
but I just can't hold my tears away
the way you do
elise believe I never wanted this
I thought this time I'd keep all of my promises
I thought you were the girl always dreamed about
but I let the dream go
and the promises broke
and the make-believe ran out..."
c u r e.
