uma cadeira prateada.
por que eu não posso apenas ler as coisas, não pensar a respeito e nem em coisas metafísicas que vão além dos assuntos escritos, fechar o firefox, desligar o monitor e voltar a estudar? por que? por que? tenho que pensar e remoer sobre as coisas mais improváveis, mais abstratas, inventar as teorias mais difíceis de serem concluídas só pra me sentir uma chata, perdida, e voltar a pensar nisso daqui a alguns dias... as coisas não se facilitam mesmo.... mas e isso aqui? é tão fugaz. digo, do que é constituído isso aqui? eu sei lá. as minhas fotos estão aqui dentro dessa caixa nojenta de poeira, e eu não posso pegá-las pra mostrar aos meus amigos numa tarde sábado, o sol morrendo lá fora e nós embebidos em vida aqui dentro. não podemos nos sentar em volta de uns biscoitos e das jarras de mate e passar as imagens de mãos em mãos lembrando de cada momento bonito, chorando e se abraçando por tudo de lindo que foi (e foi. porque afinal, todo mundo cresce). é como se agora eu quisesse minha vida toda pra mim, e os cabos a me enforcar o pescoço.
voltamos sempre à foto do pé e à garrafa pra beber a si mesmo de uma vez, em um só gole. já lembrava um grande amigo "existir é isso: beber a si próprio sem sede". e vamos embora sempre de mãos e garganta vazia, sem nada que possa saciar essa gana que nada mais é que gana por consciência. queremos isso o tempo inteiro. queremos viver conscientes sem a necessidade desses choques elétricos nos mamilos e chutes no estômago. e insistimos nisso por mais que saibamos que nossa mente falha dorme ao menor sinal de sossego.
mas meu sossego não vem!
mas sempre se repete a agonia das novas questões que surgem e se sobrepõem as outras interminadas, as teorias impossíveis de se concluir.
eu não quero mais, vamos colar de volta a ostra.
vamos apenas fingir saber o que escrever enquanto ele explode nossos miolos de tanto gritar?
ahhh, a vida... das tragédias a mais longa e insuportável poesia.
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