domingo, outubro 14, 2007

2007, uma odisséia metalinguística.




não é por nada que eu escrevo, é só por escrever.

eis que domingo às 6h da manhã, andando pelas ruas de fios e telepatia cruzo com uma menina franzina e perplexa encolhida num canto escuro. ao seu encontro vem uma moça distinta, com ares de maturidade, os cabelos brancos a molharem os ombros. eis então que num domingo, às 6h da manhã encontro-me comigo mesma, repetidas vezes, várias vezes, vestida de uma fantasia e um ideal diferentes a cada clic da lâmpada.

clic.

não que não seja tudo uma grande dialética... tese-antítese-síntese. não que tudo que está nas palavras que achei delimitado não seja realmente o que sou hoje, apenas modificado pela experiência. no fim é exatamente isso. o que sou determina o que não sou, e ambos produzem o que eu verdadeiramente sou, em sua totalidade. não que seja grande novidade, mas que é completamente novo encontrar na mesma mesa de bar o eu de ontem, um eu de outra vida, o eu de hoje, os eus de amanhã, o eu que nunca foi... todos juntos, comemorando juntos e chorando juntos. todos sabem das mesmas coisas, mas por prismas tão diferentes entre si que seriam como o marxismo e os annales. pateticamente incompatíveis, teimosamente incompatíveis, catastroficamente compatíveis.

a frustração de não poder capturar uma grande paisagem de palavras sortidas, coloridas, vivas até mesmo na morte torna-se muito maior que o impulso e a resistência de persistir tentando. não que as imagens não sejam fascinantes, mas que sejam limitadas não há quem possa negar. e mesmo assim, quantas brechas se abrem ao reconhecerem-se os limites a que estão submetidas, quantos vastos campos de visão... visão.

clic.

olha-se ao redor e restam os mesmos quatro ou cinco cavalheiros a discutirem a alma humana. e apenas quando ele desce as escadas é que os outros podem abrir os olhos.

clic.



cego.móveiscoloniaisdeacaju

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